Anhanguera: Como crescemos 7x a aquisição de clientes
Overview
Os cursos livres e profissionalizantes da Anhanguera são programas educacionais de curta duração, projetados para quem deseja adquirir conhecimentos específicos, aprimorar habilidades ou se atualizar em determinada área, com flexibilidade e acessibilidade. O desafio: crescer a aquisição de alunos em um mercado saturado e de forte pressão de preço, competindo com plataformas como Udemy e Domestika.
Atuação
Conduzi o discovery completo, da pesquisa quantitativa com a base de leads ao mapeamento de jornada com o time, facilitei workshops de problem solving e desenvolvi as landing pages e fluxos de matrícula/checkout. Após o lançamento, acompanhei os resultados via funil e comportamento (Clarity), gerando insights para otimização contínua.
Objetivo
Desenvolver as páginas e fluxos de aquisição para os cursos livres e profissionalizantes com base em pesquisa sobre as necessidades e expectativas reais dos usuários, respondendo a uma pergunta central: as pessoas não compram porque o produto é caro, ou porque a experiência de compra não dá segurança suficiente para pagar por ele?
Processo
Primeiro passo: entendimento do produto
Para embasar o desenvolvimento dos fluxos de aquisição, iniciei com uma pesquisa aprofundada do mercado e concorrentes, buscando entender os principais desafios e oportunidades.
- Benchmarking de páginas e fluxos de aquisição, analisando concorrentes e argumentos de conversão.
- Pesquisa de preços, modelos de oferta e cursos disponíveis no mercado.
- Análise de pesquisas anteriores para identificar segmentos de crescimento, motivações de compra e perfil dos usuários.
- Personas e mapeamento de comportamentos dos diferentes perfis de usuários.
- Mapa da jornada do usuário, destacando pontos de contato e fricções no fluxo de aquisição.
- Workshop de problem solving com o time, alinhando dúvidas a investigar com os usuários.
Mapa da jornada do usuário
Pesquisa de mercado: Anhanguera vs. competidores
A pesquisa mapeou um panorama das áreas de maior interesse e dos segmentos com maior crescimento, além de apontar pontos de melhoria na oferta de cursos da Anhanguera.
Principais áreas de interesse
Administração e Negócios (23%) · Saúde e Esporte (18%) · Estética e Cosmético (14%) · Marketing Digital (13%) · Desenvolvimento Pessoal
Percepção sobre os cursos livres da Anhanguera
- Aulas não 100% em vídeo.
- Falta de suporte, sem interação com professores para tirar dúvidas.
- Experiência em dispositivos móveis insatisfatória.
A análise competitiva mostrou preço médio da Anhanguera em torno de R$100 para cursos de 20 a 80 horas, acima de concorrentes como Udemy, Domestika e Estácio, o que poderia afetar a competitividade da marca se a decisão de compra fosse baseada só em preço.
Cruzando o benchmark com os dados reais de venda por curso, o baseline mostrou forte concentração num único produto: o curso de Departamento Pessoal (profissionalizante) respondia sozinho por 32% do volume de vendas e quase 39% da receita do catálogo, muito à frente do segundo colocado (Administração de Condomínios, 22% do volume). Esse dado validou, a posteriori, a amostra das entrevistas em profundidade: três dos cinco entrevistados tinham feito justamente cursos de Departamento Pessoal, confirmando que a pesquisa qualitativa capturou o comportamento do público do produto-âncora do negócio.
Segundo passo: entrevistas com o usuário
O que queríamos descobrir
Antes de iniciar as entrevistas, defini um conjunto de hipóteses que precisávamos validar para compreender melhor o comportamento dos alunos e identificar oportunidades de evolução do produto. A pesquisa buscava responder perguntas como:
- O que motiva uma pessoa a procurar um curso livre?
- Em que contexto profissional ela decide comprar um curso?
- Como acontece o processo de pesquisa e comparação entre instituições?
- Quais informações são determinantes na decisão de compra?
- O que pesa mais na escolha: conteúdo, preço, marca, professores ou certificado?
- Como os alunos consomem o conteúdo no dia a dia (desktop, celular, vídeo, PDF)?
- Qual é o formato de aprendizado preferido?
- Como os alunos solucionam dúvidas durante o curso e qual o papel do suporte?
- Qual é a percepção da marca Anhanguera e quanto ela influencia na confiança do produto?
- O certificado realmente agrega valor para a carreira?
- Quais pontos da experiência geram satisfação e quais geram frustração?
- Qual impacto o curso teve na vida profissional dos alunos após a conclusão?
A conclusão da entrevista por meio de vídeo com o usuário que realizei foi:
- Os alunos preferem aprender com vídeos, mas valorizam materiais em PDF para consulta, impressão e revisão durante o trabalho.
- Google foi o principal canal de descoberta dos cursos, seguido por redes sociais, e-mail marketing e recomendações.
- A marca Anhanguera transmite confiança e credibilidade, influenciando positivamente a decisão de compra.
- O conteúdo do curso é o principal fator de escolha, seguido pela reputação da instituição, carga horária e preço.
- Cursos mais específicos e direcionados são percebidos como um diferencial em relação a opções mais generalistas.
- Os cursos são buscados principalmente por profissionais que já atuam na área e precisam adquirir conhecimento rapidamente para atender demandas do trabalho.
- O desktop é o principal dispositivo de estudo, enquanto o celular é utilizado para consumir vídeos e consultar materiais em outros momentos.
- O certificado é percebido como um diferencial para fortalecer o currículo, demonstrar atualização profissional e apoiar o crescimento na carreira.
- Quando surgem dúvidas, os alunos recorrem primeiro ao Google, YouTube, ChatGPT e especialistas da área antes de buscar o suporte da instituição.
- A demora no atendimento gera insatisfação, mesmo entre usuários que utilizam pouco o canal de suporte.
- Os participantes sentiram falta de mais vídeos, exemplos práticos, exercícios resolvidos, conteúdos atualizados e maior interação com professores.
- A qualidade e a atualização do conteúdo impactam mais a satisfação do que a usabilidade da plataforma.
- Durante as entrevistas surgiu uma oportunidade para fortalecer ofertas corporativas (B2B), após um participante relatar que sua empresa escolheu a Anhanguera pela credibilidade da marca.
- Também identifiquei uma oportunidade para destacar os professores na página do curso, já que alguns usuários pesquisam quem será o instrutor antes da compra.
- O parcelamento no cartão de crédito apareceu como a forma de pagamento preferida entre os entrevistados.
- As entrevistas também revelaram oportunidades de cross-sell, já que muitos participantes demonstraram interesse em continuar a jornada de aprendizagem com cursos técnicos, tecnólogos ou graduações.
Segunda onda de pesquisa: validação quantitativa
Uma pesquisa quantitativa trouxe 94 respostas (84% completas) e triangulou os achados da primeira rodada. Como a amostra é majoritariamente de quem já é cliente, o estudo fala mais sobre retenção e cross-sell, mas trouxe achados que refinam a estratégia de conversão:
- O preço é uma barreira concentrada em quem ainda não comprou: pesa 39% entre quem já fez curso e 88% entre quem não fez.
- "Acesso de onde quiser" (computador, celular, TV) é o segundo maior driver de decisão, com 44%, atrás apenas do conteúdo do curso (58%).
- A duração ideal de curso é de 1 a 3 meses para 51% dos respondentes.
- Existe um gap entre impacto percebido e impacto de carreira concreto: 52% dizem que o curso ajudou a se aprofundar num tema que gostam, mas apenas 10% relatam emprego melhor e 10% salário melhor.
- O acesso ao conteúdo é majoritariamente por computador (64%), com celular relevante (34%).
- Dúvidas são resolvidas majoritariamente sozinho: 77% procuram no Google antes de qualquer canal de suporte.
O que pesa na decisão de compra
| Critério | % das respostas |
|---|---|
| Valor do curso | 61% |
| Grade de matérias | 53% |
| Carga horária e descrição | 51% |
| Certificado de conclusão | 37% |
| Método de pagamento/desconto | 19% |
| Salário da profissão | 16% |
O que motiva a busca por um curso
| Motivo | % |
|---|---|
| Obter certificado para área específica | 23% |
| Mudar de área / transição de carreira | 21% |
| Melhorar o currículo | 18% |
| Promoção no trabalho | 14% |
| Requisito da profissão atual | 11% |
Maior desafio para começar o curso
| Barreira | % |
|---|---|
| Falta de tempo | 32% |
| Dúvida sobre a qualidade do curso | 20% |
| Dúvida sobre o conteúdo | 16% |
| Falta de dinheiro | 13% |
| Dificuldade de acesso à plataforma | 9% |
O preço (13%) fica atrás de três barreiras ligadas à confiança e clareza: qualidade, conteúdo e tempo. Isso validou a hipótese de que o funil precisava vender segurança antes de vender desconto.
Principais descobertas
- Quem procura um curso profissionalizante na Anhanguera não está comprando lazer, está comprando empregabilidade: aperfeiçoamento profissional e transição de carreira são os principais gatilhos de compra.
- O nome Anhanguera funciona como selo de credibilidade e reduz objeção de preço; o usuário prefere pagar mais caro na Anhanguera do que em um marketplace desconhecido, desde que a experiência de compra seja clara.
- Dúvidas comuns: carga horária, conteúdo abordado e formato de entrega (teórico vs. prático).
- A voz do cliente insatisfeito revelou o achado mais acionável da pesquisa: um padrão consistente de pessoas que pagaram e não conseguiram acessar o curso, sem conseguir falar com ninguém para resolver.
- O NPS de recomendação (escala 0 a 10, média 6,7) tem distribuição bimodal, não uma curva normal: 46% dão nota 9 ou 10 (promotores), 18% dão nota 7 ou 8 (neutros) e 37% dão nota 0 a 6 (detratores), sendo 17% na nota mínima. A média esconde uma base relevante de detratores extremos, concentrada num único motivo: falha de acesso pós-compra e ausência de suporte.
- O mapa de jornada mostrou dois vales de ansiedade na curva de experiência: na escolha de modalidade e unidade (EAD vs. Híbrido, polo, horário), e no aguardo da confirmação de matrícula ao final do fluxo.
Oportunidades de melhoria
| Achado da pesquisa | Decisão de design |
|---|---|
| Certificado, carga horária e conteúdo pesam mais que preço na decisão | Reestruturação da hierarquia de informação nas páginas de curso, priorizando esses três dados no topo, antes do preço |
| Comunicação confusa entre EAD e Híbrido gerava ansiedade e abandono no mobile | Redesenho do fluxo de escolha de modalidade, simplificando a linguagem e reduzindo decisões simultâneas |
| 32% não avançam por falta de tempo, mas 74% pretendem fazer mais cursos em 12 meses | Comunicação de "conclua no seu ritmo", reforçando flexibilidade EAD como argumento central |
| Nome Anhanguera como selo de credibilidade | Uso mais forte da marca como argumento de conversão, em vez de depender só de desconto |
| Preço só é barreira decisiva para quem ainda não é cliente (88% no público frio vs. 39% em quem já comprou) | Segmentação de mensagem: foco em preço e prova social para público frio, foco em conteúdo e flexibilidade para base já convertida |
| Gap entre impacto percebido (desenvolvimento pessoal, 52%) e impacto de carreira concreto relatado (emprego/salário, 10% cada) | Coletar e destacar mais depoimentos de resultado de carreira concreto, hoje uma prova social subexplorada |
| Usuários saíam da página sem deixar contato | Inserção de bloco de soft lead (nome, e-mail, telefone) na hero da página do curso |
| Ansiedade alta nas etapas finais de pagamento e confirmação | Fluxo de checkout com feedback mais claro por etapa |
| Falha de acesso pós-compra como principal causa de detração | Comunicação proativa pós-compra (confirmação, passo a passo de acesso, canal de suporte direto) tratada como parte do funil |
| Preferência de formato é vídeo baixável combinado com material para download | Viabilizar download de vídeo para consumo offline no mobile, mantendo o material escrito complementar |
| Suporte lento (até 12 dias de espera) gera frustração quando acionado, mesmo não sendo essencial no dia a dia | SLA de resposta rápida no roadmap pós-compra |
| Caso espontâneo de compra corporativa (empresa escolheu a Anhanguera por já conhecer a marca) | Sinalização de oportunidade de parcerias e condições especiais para compra corporativa |
| Cursos mais direcionados são percebidos como diferencial frente a concorrentes generalistas | Reforço de posicionamento nas páginas de curso, destacando foco e aplicabilidade direta |
Soluções adicionadas ao produto digital:
- O certificado veio logo acima do nome do curso, reforçando com "Formação com certificado".
- A carga horária e o conteúdo do curso ficaram logo abaixo da primeira dobra, onde o usuário ainda está quente e tem acesso rápido.
- Se o curso é EAD ou híbrido também foi adicionado logo acima do nome do curso, para chamar atenção do usuário sobre qual é o tipo do curso.
- Inserção de bloco de soft lead.
- O curso de inglês gratuito incluso foi adicionado ao fluxo de compra e ao resumo das informações, assim como na própria LP, informando que é um conteúdo que só quem se matricula ganha: um curso de Inglês gratuito, 100% Online, com certificado e sem custo adicional.
- Adicionei uma seção na página sobre os salários, com júnior, pleno e sênior de cada área.
- O FAQ de cada página respondendo diretamente às dúvidas de acesso e prazo de turma.
- O fluxo de inscrição do EAD reduzido a 2 passos.
Experimentação pós-lançamento
O trabalho não parou no lançamento das novas páginas. A otimização de funil virou um processo contínuo, apoiado em análise comportamental real (Clarity) e testes A/B.
Resumo da compra no checkout
Analisando dados comportamentais no Clarity, identifiquei oportunidades de melhoria na compreensão da oferta durante o checkout. A partir desses insights, redesenhei o resumo da compra e propus testes A/B relacionados à exibição dos valores e benefícios da oferta. A iniciativa resultou em:
- +13% de inscritos
- +16% em pagamentos/PMA
- +31% em pagamentos por inscrito
Além do impacto direto na conversão, o projeto reforçou a importância de decisões orientadas por comportamento real dos usuários.
Menu e CTA do WhatsApp no header
Ainda pelo Clarity, identifiquei o mau uso do menu principal: usuários clicavam nele com pouca intenção de navegação real, sinal de que ele estava competindo por atenção com os elementos que de fato levavam à conversão. A partir desse achado, propus um teste A/B de exibição do menu e do CTA de WhatsApp dispostos no header.
Resultado: Menu + WhatsApp, +6% na conversão.
Valor Gerado
Após a implementação, os resultados foram mensuráveis:
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Aquisição de novos alunos | Crescimento de 7x |
| Faturamento mensal | Crescimento de 7x |
| Geração de leads (soft lead na hero) | +15% |
Acompanhando o funil mês a mês (PageViews, Leads, Inscrições, Pré-matrículas, Pagamento), o crescimento aparece de forma consistente em todas as etapas:
- PageViews: +144% no mês vs. mês anterior
- Leads: +124%
- Inscrições: +117%, com taxa de inscrição subindo de 43,9% para 49,3%
- Pré-matrículas: +403%
- Taxa de pagamento (conversão da etapa final): de 14,8% para 16,6%
A taxa de Lead Start (conversão de visita para início de lead) caiu levemente no período (queda de 8% no MTD), mesmo com o volume absoluto de leads disparando: o crescimento veio principalmente de mais tráfego qualificado somado a uma conversão mais eficiente nas etapas seguintes do funil, não só de uma melhora isolada na primeira captura.
Além dos números, o feedback qualitativo dos usuários validou a nova interface: o fluxo foi descrito como "claro" e "fácil", reduzindo a carga de suporte pós-venda ligada a problemas de acesso.